Quatro e meia da manhã, pego o carro para o aeroporto para o vôo da sete para Shenzen. São duas horas e meia voando para o sul, para a cidade que faz fronteira com Hong Kong.
Lá vou ser recebido por Jack Ng, CEO da Faxind, uma fábrica de produtos plásticos que chega a produzir cerca de 500 mil unidades de cada item diariamente.
Jack emprega entre 300 e mil funcionários. Não é, de forma nenhuma um negócio grande para os padrões chineses, mas é interessante porque a Faxind produz desde o mockup até o produto final, tudo nos seus 3 prédios no setor industrial de Shenzen.
Não espere nada tecnológico. A fábrica é uma linha de montagem artesanal. Cada um dos operários é um verdadeiro artista, moldando massa, limando moldes, pintando manualmente os produtos finais.
Dezenas de bancadas com operários com golas brancas, monitorados por supervisores de golas laranja, liderados por coordenadores de golas vermelhas.
A jornada padrão é de oito horas, mas o funcionário pode optar por mais duas horas e meia para assegurar algo próximo a 300 dólares no final do mês.
A fábrica lida com produtos tóxicos mas o cuidado com a ventilação é mínimo. Segundo Jack, todas as fábricas são assim.
Os operários vêem de todos os pontos da China. É cada vez mais difícil recrutar localmente pois a tal da Classe Média continua crescendo e ninguém mais quer esse tipo de trabalho manual.
Jack é capaz de criar e produzir qualquer objeto em plástico ou metal em apenas um mês e meio.
O preço depende do grau de exigência dos clientes em termos de “validação”, leia-se quais as matérias primas envolvidas.
A sala que mais orgulha Jack é uma cheia de equipamentos capazes de medir cada componente químico em seus produtos.
O passeio termina em mais um almoço com degustação.
Nem me fale.

